Um qualquer de vontade pura e consciência nula, cárcere da liberdade, sopro e fôlego das emanações, alheio por momentos eternos aos ditos dominantes, desfruta da companhia da solidão, do ostracismo e da escolha.
Pesada, flutua.
Inerte, viceja.
A incerteza concreta do sempre volátil
A neve ao sol é como a imaginação do desejo
Brilha a escuridão, dialoga a ignorância
Brutal sensação de imatura solução.
Tudo, sempre inacabado
Um copo, dois, três, cinco mil anos pra frente, pra trás – o que importa.
Vácuo de si
Sob o sol, a noite e a paixão.
O momento completo, sempre fugaz, pertinente e incômodo de interminável começo e recalcitrante início agora permanecia.
De seus olhos brotavam flores, frutos
De intenso desejo,
Partes esparsas da confusão lúcida inalcançável
Os sentimentos em confusão e profusão nada diziam e tudo completavam em silêncio.
sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
novo descaminho
Naquela noite não iria encontrar os amigos,
Refletir sobre o dia ou se preparar para o amanhã,
Ler um livro ou ver um filme
Beijar a mulher ou sonhar.
Sem palavra, como que enfim reativo à uma situação limite,
bateu a porta atrás de si e
desceu as escadas para nunca mais voltar
O mesmo.
Conforme ganhava a rua,
Foi se dando conta de que a caminhada
Tinha começado muito antes
Impulsionada, aparentemente, por uma latente
Necessidade de independência do
Implacável automatismo da inerente
Capacidade de conotação do bicho homem
A qualquer fenômeno.
Havia se cansado daquele carrossel de
Lógicas, dogmas, estratégias e interpretações
que tecem realidades e dão sentido à vida.
Afinal, como seria a realidade sem nossas perspectivas?
Assim embalado,
Sem rumo, causas ou conseqüências
Seguiu, passo a passo, dissipando-se.
Nem soluções ou problemas
Memórias ou aspirações
Pensamentos ou expressões
Mesmo o presente não poderia contar
Atravessavam-lhe, então, incólumes, sucessivas paisagens e
Dinâmicas nas quais, por sua vez, já não figurava em absoluto.
Refletir sobre o dia ou se preparar para o amanhã,
Ler um livro ou ver um filme
Beijar a mulher ou sonhar.
Sem palavra, como que enfim reativo à uma situação limite,
bateu a porta atrás de si e
desceu as escadas para nunca mais voltar
O mesmo.
Conforme ganhava a rua,
Foi se dando conta de que a caminhada
Tinha começado muito antes
Impulsionada, aparentemente, por uma latente
Necessidade de independência do
Implacável automatismo da inerente
Capacidade de conotação do bicho homem
A qualquer fenômeno.
Havia se cansado daquele carrossel de
Lógicas, dogmas, estratégias e interpretações
que tecem realidades e dão sentido à vida.
Afinal, como seria a realidade sem nossas perspectivas?
Assim embalado,
Sem rumo, causas ou conseqüências
Seguiu, passo a passo, dissipando-se.
Nem soluções ou problemas
Memórias ou aspirações
Pensamentos ou expressões
Mesmo o presente não poderia contar
Atravessavam-lhe, então, incólumes, sucessivas paisagens e
Dinâmicas nas quais, por sua vez, já não figurava em absoluto.
O passo
Por opção, havia aderido à luta pela equidade e, portanto, singrou a pena das tempestades, desertos e solidões da faina humana. Foi moeda, ferida e esperança. Acertando bem menos do que foi acertado, perdeu-se, assim, de si, rápido e durante muito tempo, esvaindo-se tal foligem, como a maioria. Entretanto, refugando em suas opacas miragens, seus sonhos não desistiram dele. Não foi senão sua coragem e humanidade que os disciplinaram em reagir, pacientemente, de modo a aprumar-lhe as idéias e as ações, a fim de perseguir, astuto e disposto, sua sina – de viver e, desejosamente, gerar vida.
Exigindo constante despertar, essa parte do caminho foi ainda mais difícil, uma provação. Até que, então, quase sem saber como, acordou em uma manhã como se fosse - para sempre - uma nova e plena vivência. Respirou ávido o ar salgado e úmido de um arquipélago do Pacífico, sabendo à mata e mar e pisou, descalço, a areia branca e fina, leve, como se estivesse planando. Beijou o sol antes que este o fizesse e, sentindo-se como uma estrela, imergiu no azul das águas como um espírito no éter. Pulsava-lhe o coração por todos os poros e atinos, cadenciado pelas ondas e correntes. Suas retinas projetavam uma miríade de cores e formas e sua pele e movimentos, feito o mar, espraiavam-se, perfeitos e livres. Diluído, fluido, percebeu-se, então, completo – a ponto de sublimar-se e emanar, feliz, gratuita e farta positividade. Afinal, então, adivinhava que mesmo em terra, o mar nunca mais lhe deixaria, assim como no oceano, o sol jamais lhe abandonaria.
Virou peixe, concha, pedra, chuva, palmeira, caranguejo, besouro, tempo, onda, tempo, mito, resto e, enfim, mais do que gente, encontrou a si mesmo. Concluiu ser imortal, apesar de saber-se finito fisicamente. Porém, longe de se iludir, sabia que essa condição jamais seria suficiente para combater, minimamente, a sombra apocalíptica que vinha tragando a séculos sonhos, paraísos, labores e, enfim, a expressão da vida. Não podia mesmo, de fato, esquecer os guetos, os fundos de investimento, o gado, a fome, a África, a guerra, a extinção das espécies e dos mananciais e, sobretudo, a fumaça que brotava da fundição de tudo e todos em insano capital.
Contudo, sob pena de morte, não poderia voltar à cena pregressa, ativista, no vértice do turbilhão. Mesmo que o cenário fosse de hecatombe nuclear. Lá fraquejaria antes e seria o fim de seus esforços. Poderia contribuir muito melhor ali, onde era incomparavelmente mais forte, perto do sopro divino, protegendo-o como pudesse do hálito da besta. Assim era sua natureza e dessa forma, seria capaz dos maiores sacrifícios.
Exigindo constante despertar, essa parte do caminho foi ainda mais difícil, uma provação. Até que, então, quase sem saber como, acordou em uma manhã como se fosse - para sempre - uma nova e plena vivência. Respirou ávido o ar salgado e úmido de um arquipélago do Pacífico, sabendo à mata e mar e pisou, descalço, a areia branca e fina, leve, como se estivesse planando. Beijou o sol antes que este o fizesse e, sentindo-se como uma estrela, imergiu no azul das águas como um espírito no éter. Pulsava-lhe o coração por todos os poros e atinos, cadenciado pelas ondas e correntes. Suas retinas projetavam uma miríade de cores e formas e sua pele e movimentos, feito o mar, espraiavam-se, perfeitos e livres. Diluído, fluido, percebeu-se, então, completo – a ponto de sublimar-se e emanar, feliz, gratuita e farta positividade. Afinal, então, adivinhava que mesmo em terra, o mar nunca mais lhe deixaria, assim como no oceano, o sol jamais lhe abandonaria.
Virou peixe, concha, pedra, chuva, palmeira, caranguejo, besouro, tempo, onda, tempo, mito, resto e, enfim, mais do que gente, encontrou a si mesmo. Concluiu ser imortal, apesar de saber-se finito fisicamente. Porém, longe de se iludir, sabia que essa condição jamais seria suficiente para combater, minimamente, a sombra apocalíptica que vinha tragando a séculos sonhos, paraísos, labores e, enfim, a expressão da vida. Não podia mesmo, de fato, esquecer os guetos, os fundos de investimento, o gado, a fome, a África, a guerra, a extinção das espécies e dos mananciais e, sobretudo, a fumaça que brotava da fundição de tudo e todos em insano capital.
Contudo, sob pena de morte, não poderia voltar à cena pregressa, ativista, no vértice do turbilhão. Mesmo que o cenário fosse de hecatombe nuclear. Lá fraquejaria antes e seria o fim de seus esforços. Poderia contribuir muito melhor ali, onde era incomparavelmente mais forte, perto do sopro divino, protegendo-o como pudesse do hálito da besta. Assim era sua natureza e dessa forma, seria capaz dos maiores sacrifícios.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Um lugar
Palau
Um lugar
qualquer
Um tempo
De tudo
Para viver
Esquecer
Ser
Senda
Pouso
Das Cajaíbas
Até
Onde der a vontade
De ter vontade
Ou Quem sabe
O vento me leva
Não importa
Só
Aqui e agora
Lá, ali, acolá
Nunca, sempre, amanhã
Junto
Não importa
Só
aqui e agora
um pouco
de muito
talvez seja mesmo
melhor do que
um muito de pouco
de nada
disso tudo
Um lugar
qualquer
Um tempo
De tudo
Para viver
Esquecer
Ser
Senda
Pouso
Das Cajaíbas
Até
Onde der a vontade
De ter vontade
Ou Quem sabe
O vento me leva
Não importa
Só
Aqui e agora
Lá, ali, acolá
Nunca, sempre, amanhã
Junto
Não importa
Só
aqui e agora
um pouco
de muito
talvez seja mesmo
melhor do que
um muito de pouco
de nada
disso tudo
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