segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meio de vida

Meio de vida

Minha gente, o que mais se parece com o fim não é o começo?
Emendando essa ladainha, até doutor sai dizendo: acho que foi amanhã...
Ontem será um novo dia...
Sei lá.
Assim, em grata prece, tudo o que peço
É só mais uma manhã.
Pelo menos meia, que seja, por carestia.
Por louvor, meu Bendito, antes da derradeira, pra já!

Quem sabe, orando assim,
não existo novamente?
Não que eu me arrependa
Do que não fiz nesta existência,
Mas, valha-me meu Padim,
É tudo tão de repente,
Que de prenda,
Só levo a querência.

Se daqui sigo pra melhor,
Repito que não sei
nem de onde vim,
menos, então, pra onde vou.
Isto dito, por gentileza, concedam-me atenção, cara senhora, distinto senhor,
Pois, muito minhas palavras pesei
Pra aconselhar, com licença, que o que vale, enfim,
É o que no meio dessa vida, feliz, se partilhou.

O meio da vida, a gente sabe, é diferente.
Passa, matreiro, por entre os depois e os antes,
É o que faz sentido.
Não se esquece jamais.
Sempre potente,
Une, justo pelos meios, amantes,
Deixando o baile perfumado,
De trás pra frente e de frente pra trás.

Então, vamos e venhamos, cumadre e cumpadre,
Tem mais meio do que início ou final
Do que se valer ou perder.
Sabe disso qualquer cabra.
Mesmo um padre,
Regrado pelo astral,
Com pendão, vai lhe dizer:
“A vida é aqui e agora!”

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