quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um dos oito olhos da aranha

Um dos oito olhos da aranha no ângulo do teto viu...

Assim que ele adentrou a porta, totó sobressaltou-se e alegre, abanou vivamente o rabo e como em transe, escancarou um sorriso com meio palmo de língua pra fora. Não demorou muito, cercou a “chefia” e danou a ladrar profusamente, enchendo a sala com seu tudo contar e perguntar. Lisonjeado pelas lambidas na mão, “chefia” deixou-se relaxar e alienado, aproveitou aquele momento de glória para refletir onde estava e do que havia se livrado nesta vida. Todo aquele singelo momento amplificou-se quando em uníssono, totó e pupi - que arfando e fazendo mimos, finalmente tinha conquistado a simpatia do grupo – aconchegou-se no recinto. Que beleza! Como que amestrados os dois animaizinhos faziam tudo numa inacreditável sincronia, que quando não era cadenciada - puxa - se completava. Era demais, tal performance tinha de ser espalhada para os outros proprietários. Não só como trunfo da capacidade de domesticação da “chefia”, mas principalmente como exemplo a ser seguido pelo resto da bicharada do lugar.

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